Como tudo começou? 
Por que escolhi ser professora?
A escolha por ser professora veio antes mesmo de marcar esta opção no vestibular. Fiz esta opção ainda na minha infância, especificamente, quando estava nas séries iniciais do Ensino Fundamental, perÃodo em que gostava de chegar da escola e brincar de professora na garagem da minha casa. Lembro que ficava horas ?dando aulas? para os meus irmãos, que nem mesmo entediam o que eu falava por terem apenas quatro anos. Fui crescendo e o desejo permanecia latente. Nas séries finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio fui monitora das disciplinas de matemática e quÃmica. Preparava aulas e acreditava que poderia ajudar meus colegas a entenderem melhor os cálculos que faziam, ao invés de decorarem as fórmulas que a professora passavam e cobrava nas provas.
Nesse perÃodo ainda não tinha noção da responsabilidade que assumia ser professora, mas ainda assim, eu gostava e me empenhava para ser uma monitora-professa. Acreditava que a educação poderia ser algo mais humano do que a que vivenciávamos. Alunos de um padrão tradicional, éramos considerados tabulas rasas, quando na verdade tÃnhamos muito para contribuir com a aula. Ficava me questionando sobre os conteúdos que tÃnhamos que decorar e os motivos que nos impossibilitavam de pensar sobre. Assim, nas aulas que dava em turno inverso aos meus colegas, discutÃamos hipóteses, resolvÃamos juntos os exercÃcios da professora e Ãamos percorrendo outros caminhos de aprendizagem que eram mais prazerosos.
Foi a partir destas experiências que pude assinalar um sim convicto na opção Pedagogia do vestibular. Convicto principalmente, porque tinha bem esclarecido o modelo de educação que não queria reproduzir. Hoje não digo que sou professora, mas que, a cada dia, vou me tornando mais professora, aprendendo com meus alunos e refazendo minha prática cotidianamente, refletindo sobre ela constantemente. Ser professora também é uma construção e como tal nunca estamos prontos!
Tenho ousadia para...
Tenho ousadia para (re)inventar o cotidiano de minha prática docente. Eu diria que não é só ousadia, se trata de coragem para desestabilizar certezas, para repensar a prática e se aventurar rumo ao novo e desconhecido, rumos aos desafios. Neste percurso procuro inovar, transformar, modificar em função das necessidades que vou encontrando, do grupo com quem estou trabalhando, sem, é claro, esquecer do paradigma de educação que acredito e nos princÃpios que o norteiam.
Mas, mesmo tendo clareza dos objetivos da minha prática, do referencial teórico que a embasa,, ainda assim, sei que caminhar na área da educação não é algo fácil, requer persistência, força de vontade e o enfrentamento dos medos, dos obstáculos. Aliás, quem não tem medos? Meu maior medo na prática docente é não atingir meus alunos, não conseguir estabelecer um canal de comunicação e segurança mútuos. Porque sei que se não conquistar meu grupo, se não estabelecer uma relação de trocas, de interação, não serei professora já que a educação se faz nesta relação entre todos, professores, alunos, escola e comunidade.
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